
Na última terça feira (19 de Maio), a Big Tech anunciou a maior reformulação do seu mecanismo de busca, o Search, em 25 anos. Pela primeira vez, o objectivo já não parece ser levar o utilizador até links, mas fazer com que a própria “busca” resolva tudo sozinha.
A principal mudança está na clássica barra de pesquisa. Agora, ela será capaz de compreender perguntas muito mais longas, interpretar imagens, ficheiros e comandos naturais.
Além disso, vai incorporar agentes de inteligência artificial que conseguem executar tarefas por conta própria, como monitorar preço, acompanhar temas específicos, organizar viagens ou até ajudar em reservas.
Na prática, a diferença entre “pesquisar no Google” e “conversar com chatbot” começa a desaparecer— e isso muda completamente o jogo da IA. Até aqui, havia a comparação ChatGP vs. Gemini. Agora, a disputa passar a ser ChatGPT vs. Google Search, um produto que já possui mais de 3 mil milhões de utilizadores mensais.
O impacto disto pode ser enorme porque muita gente nunca abriu o Gemini, mas utiliza o Google todos os dias. Ao transformar o Search num assistente de IA permanente, o Google distribui inteligência artificial directamente dentro de um dos produtos mais utilizados da internet.
Mas existe um detalhe importante nesta estratégia: quanto mais inteligente a busca se torna, mais cara ela fica. tendo isto em mente, o Google pretende investir entre 180 mil milhões de dólares a 190 mil milhões de dólares este ano, principalmente em infra-estruturas, chips próprios e expansão computacional.
E o Google não parou por aí

Além do Search, a empresa apresentou uma avalanche de novos produtos, entre eles um sistema multimodal capaz de criar vídeos a partir de texto, imagem, áudio e vídeo, além de novos óculos inteligentes com Gemini integrado, em parceria com a Warbi Parket e a Gentle Monster.
Outro ponto foi o posicionamento do Google sobre a IA paga. Alguns dos novos recursos do Search serão exclusivos para assinantes, ampliando pela primeira vez, de forma realmente relevante, a diferença entre a versão gratuita e premium de busca.
Com isto, entende-se que a empresa tenta responder não só à pressão competitiva da OpenAI, Anthropic e Meta, mas também à preocupação de que estivesse a ficar para trás na corrida da inteligência artificial generativa — especialmente em programação e agentes autónomos.
Só que, por incrível que pareça, os investidores não pareceram tão convencidos, e as acções da sua holding, a Alphabet, fecharam em queda após a enxurrada de anúncios.
Uma das hipóteses é que o mercado esteja a tentar compreender uma questão central: transformar o Google inteiro em IA pode fortalecer ainda mais o domínio da empresa… mas também pode tornar o negócio mais caro e complexo do que nunca.
Curiosidade para terminar
O CEO Sundar Pichai anunciou que a Google possui 5 produtos com mais de 3 mil milhões de utilizadores — Search, Chrome, Gmail, Android e Youtube.

